A partir desse mês estarei contando um pouco sobre histórias e curiosidades da gastronomia. Acomode-se na cadeira confortavelmente, aperte seu cinto e faça essa viagem junto ao mundo da culinaria! Conto com suas sugestões e comentários para tornar esse espaço sempre muito agradável!
A gastronomia (do grego antigo: “lei do estômago”) é um ramo que abrange a culinária, as bebidas, os materiais usados na alimentação e, em geral, todos os aspectos culturais a ela associados.
O prazer proporcionado pela comida é um dos fatores mais importantes da vida, depois da alimentação de sobrevivência. A gastronomia nasceu desse prazer e constituiu-se como a arte de cozinhar e associar os alimentos para deles retirar o máximo benefício. Cultura muito antiga, a gastronomia esteve na origem de grandes transformações sociais e políticas. A alimentação passou por várias etapas ao longo do desenvolvimento humano, evoluindo do nômade caçador ao homem sedentário de hoje.
A fixação à terra trouxe uma maior abundância de comida o que provocou um aumento demográfico, que por sua vez levou a um esgotamento dos recursos e à consequente migração para novos locais a explorar. Houve apenas duas importantes exceções na história antiga: o Egito e a Mesopotâmia, devido à fertilidade trazida pelas águas dos rios Nilo, Tigre e Eufrates que se mantiveram constantes ao longo dos anos.
A humanidade cedo percebeu as virtudes da associação de certas plantas aromáticas aos alimentos para exaltar o sabor, contribuir para a sua conservação e permitir uma melhor e mais saudável assimilação por parte do corpo. Muitas guerras se fizeram pela apropriação de recursos alimentares que de uma forma geral são escassos e que determinam o poder para quem domina a gestão desses recursos. A busca das especiarias, por exemplo, momento no qual a Europa parte para os descobrimentos marítimos, tomando o controle da rota das especiarias e a descoberta de novas cores, sabores e aromas. Nessa época houve uma miscigenação entre culturas do oriente e ocidente, fusão de receitas e descoberta de novas possibilidades mutuamente.
A arte do prazer da comida motivou Leonardo da Vinci, inventor de vários acessórios de cozinha, como o célebre "Leonardo" para esmagar alho, alimento tido como “novidade” em sua época, trazida de terras árabes. Percursor da nouvelle cuisine, Da Vinci fundou com outro sócio o restaurante "A Marca das Três Rãs" em Florença. A gastronomia despertou curiosas sensibilidades em músicos como Rossini e em escritores portugueses e estrangeiros. Camilo Castelo Branco era avesso a descrições mas não resistiu a descrever um saboroso caldo verde, enquanto que Eça de Queirós tem inúmeras menções a restaurantes nas suas obras.
O primeiro tratado sobre gastronomia foi escrito por Jean Anthelme Brillat-Savarin, um gastrônomo francês que, em 1825 publicou a “Fisiologia do Paladar”, traduzido como "Fisiologia do Paladar ou Meditações sobre a Gastronomia Transcendental”, obra teórica e histórica, dedicada aos gastrônomos parisienses, trata a gastronomia pela primeira vez como ciência.
No entanto, não se deve confundir esta ciência com a nutrição ou a dietética, que estudam os alimentos do ponto de vista da saúde, uma vez que a gastronomia possui uma visão mais focada na palatabilidade e desenvolvimente e criação de receitas, bem como a harmonia e apresentação visual do prato.
sábado, 15 de maio de 2010
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